Mulheres ampliam participação no universo de games e querem mais
- Alan Gomes de Oliveira
- 5 de jan.
- 2 min de leitura

As mulheres sempre estiveram presentes no universo dos games desde os primeiros videogames. No entanto, a falta de protagonismo feminino na indústria ainda é reflexo de questões culturais. Muitas gamers relatam que se afastam do cenário para evitar comentários ofensivos e machistas — uma realidade que persiste mesmo com números expressivos de participação.
No Brasil, as mulheres já representam cerca de 45% do público gamer, segundo a Forbes. A Pesquisa Game Brasil aponta um número ainda maior: 51% dos jogadores são mulheres, superando a participação masculina.
Em Bragança Paulista, porém, essa presença ainda é menor. Levantamento realizado na Studio Games Bragança indica que, entre adolescentes e adultos, apenas duas em cada dez gamers são mulheres. Entre crianças, a proporção sobe para três em cada dez, mostrando um crescimento gradual nas novas gerações.
Visibilidade ainda é desigual
Apesar da forte presença feminina como jogadoras, a visibilidade das mulheres no cenário gamer ainda é baixa. Dados da Forbes revelam que apenas 5% dos influenciadores gamer são mulheres, e somente 3% das streamers mais bem pagas da Twitch pertencem ao público feminino, segundo levantamento da MoreYellow.
Giovana Silva Andrade, atendente da Studio Games Bragança, destaca que há avanços, mas o caminho ainda é longo. “Vejo cada vez mais mulheres engajadas, participando de campanhas e campeonatos, mas a visibilidade masculina ainda é muito maior”, afirma.
Machismo e resistência no streaming
A streamer Ingrid Paixão, conhecida como Baianinha, relata que o machismo é constante na rotina das mulheres que produzem conteúdo gamer. Com mais de 220 mil seguidores na Twitch, ela decidiu criar um grupo de apoio para unir e fortalecer mulheres gamers de todo o Brasil.
Segundo Ingrid, comentários ofensivos sobre aparência, comportamento e desempenho são frequentes. Ainda assim, ela reforça que não pretende desistir e quer inspirar outras mulheres a ocuparem esse espaço com confiança e união.
Games também são educação e profissão
Além do entretenimento, o universo gamer oferece oportunidades profissionais e educacionais. Fred Zenorini, professor e sócio da Studio Games Bragança, explica que os cursos da empresa desenvolvem habilidades ligadas à criação de conteúdo, streaming, redes sociais e eSports. Mesmo assim, entre 25 alunos matriculados, apenas uma mulher participa atualmente.
O cenário mostra avanços importantes, mas também evidencia a necessidade de mais inclusão, visibilidade e apoio para que as mulheres possam ocupar, de forma segura e igualitária, todos os espaços do universo gamer.


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